Como usar os dados gerados pelo PLM de forma assertiva no seu processo industrial?
Todo o produto carrega em si uma enorme quantidade de informações atrelada ao seu processo produtivo, como modelos 3D, listas de materiais, documentos técnicos, requisitos, versões, alterações de engenharia, especificações, custos, roteiros de fabricação e registros de qualidade.
O desafio, no entanto, não está apenas em produzir ou armazenar esses dados. O verdadeiro ganho acontece quando eles chegam às pessoas, aos sistemas e às máquinas certas, no momento adequado e em um formato que permita tomar decisões melhores.
É justamente nesse ponto que o gerenciamento do ciclo de vida do produto, o PLM - Product Lifecycle Management, assume uma função estratégica.
Mais do que organizar arquivos de engenharia, uma plataforma PLM estabelece uma fonte confiável de informações sobre o produto. O Teamcenter, solução PLM da Siemens, conecta dados, processos e equipes ao longo do ciclo de vida, permitindo que diferentes áreas trabalhem a partir de uma fonte compartilhada de informações.
No entanto, para que esses dados sejam utilizados de forma assertiva, eles não podem permanecer restritos ao ambiente da engenharia. Eles precisam alimentar o restante da operação, visto que adquirir uma plataforma PLM ou integrar sistemas não garante, por si só, uma transformação digital bem-sucedida.
É necessário revisar processos, responsabilidades, critérios e padrões de informação. Caso contrário, a empresa apenas transfere práticas desorganizadas para um ambiente digital. Por isso, separamos algumas dicas de como melhor aproveitar os dados gerados pelo seu PLM na indústria:
Como usar os dados do PLM de forma assertiva?
1. Defina uma fonte oficial de informação
O primeiro passo é estabelecer o PLM como fonte oficial dos dados relacionados ao produto. Isso significa determinar claramente:
- Onde cada informação deve ser criada;
- Quem é responsável por atualizá-la e aprová-la;
- Quais setores podem consultá-la;
- Como as revisões devem ser controladas;
- Quando um dado pode ser liberado para os processos seguintes.
Essa governança reduz a existência de cópias paralelas e evita que diferentes áreas utilizem versões distintas de uma mesma informação.
O objetivo não é apenas possuir uma base centralizada, mas garantir que todos saibam qual informação é válida e oficial.
2. Contextualize os dados
Um arquivo isolado possui valor limitado. Para que possa apoiar uma decisão, ele precisa estar associado ao contexto correto. Um modelo 3D deve estar conectado à sua revisão, à lista de materiais correspondente, aos requisitos do produto, aos documentos de fabricação e ao histórico de alterações.
Da mesma forma, uma alteração de engenharia deve indicar:
- Qual foi o item modificado;
- Por que a mudança foi necessária;
- A partir de qual produto, lote ou ordem a alteração será aplicada;
- Quais áreas devem ser notificadas.
O PLM transforma arquivos em informações contextualizadas. Isso permite compreender não apenas qual é o dado mais recente, mas também sua origem, seus relacionamentos e seus impactos.
3. Integre o PLM aos demais sistemas
Um dos maiores erros em projetos de transformação digital é tratar o PLM como uma plataforma isolada da operação.
Para que o Digital Thread funcione, os dados liberados pela engenharia precisam chegar aos demais sistemas sem depender de digitação duplicada ou reconciliação manual.
Uma integração entre PLM e ERP, por exemplo, pode permitir que itens, estruturas e revisões aprovadas sejam disponibilizados para compras, custos e planejamento de materiais.
A integração com soluções APS pode utilizar informações de produto, demanda, recursos e processos para criar planos de produção mais realistas. Já o MES pode receber instruções, especificações e roteiros atualizados, ao mesmo tempo que devolve informações sobre a execução. Com sistemas integrados corretamente, os setores deixam de trabalhar como ilhas e passar a participar de um fluxo unificado e assertivo.
4. Automatize os fluxos de alteração
Alterações de engenharia fazem parte da rotina industrial. O problema surge quando elas são comunicadas por e-mail, mensagens informais ou documentos que não possuem rastreabilidade.
Um fluxo estruturado dentro do PLM permite controlar solicitações, análises de impacto, aprovações e liberações. Quando uma mudança é aprovada, o sistema pode notificar as pessoas envolvidas e iniciar as atualizações necessárias nos processos seguintes.
Isso reduz o risco de uma alteração permanecer apenas na engenharia enquanto compras, manufatura ou fornecedores continuam trabalhando com informações anteriores.
O dado correto precisa circular com velocidade e controle.
5. Crie um fluxo de retorno da manufatura para a engenharia
O Digital Thread não deve funcionar apenas da engenharia para a produção.
Os dados gerados durante a fabricação também são fundamentais para melhorar o produto. Tempos reais de operação, dificuldades de montagem, interrupções, desvios de qualidade e consumo de recursos podem revelar oportunidades que não eram evidentes durante o projeto.
Quando essas informações retornam ao ciclo de desenvolvimento, a empresa pode:
- Corrigir problemas recorrentes;
- Atualizar tempos e roteiros;
- Revisar tolerâncias;
- Reduzir custos;
- Aperfeiçoar futuras versões do produto;
- Criar planejamentos mais aderentes à realidade.
Esse fluxo bidirecional conecta engenharia, planejamento, execução, qualidade e logística, ampliando a visibilidade e apoiando decisões mais rápidas.
6. Transforme os dados em indicadores de negócio
Utilizar os dados do PLM de forma assertiva também significa transformá-los em indicadores que apoiem decisões estratégicas.
Alguns exemplos são:
- Tempo médio de aprovação de uma alteração;
- Quantidade de alterações realizadas;
- Número de retrabalhos provocados por documentação incorreta;
- Percentual de reutilização de componentes;
- Tempo de desenvolvimento de um novo produto;
- Aderência entre a BOM de engenharia e a BOM de manufatura;
- Tempo entre a identificação de um problema e sua correção;
- Impacto financeiro das mudanças de engenharia.
Esses indicadores ajudam a identificar gargalos e demonstram que o PLM não é apenas uma ferramenta da engenharia. Ele é uma plataforma capaz de apoiar resultados operacionais e financeiros.